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Relato de Projecto - 2005/2006

Os Meninos do Mundo
 

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ….. partida!
Uma viagem de foguetão à volta do mundo


   
Em Outubro, a história do cosmonauta Raul cativou os meninos e meninas da sala amarela. Ele conseguia viajar de planeta em planeta, descobrindo sempre novas coisas.

O interesse foi tão grande que a própria história surgiu como um “elemento perturbador” que foi ponto de partida para o principal projecto da sala. As crianças gostaram dos elementos da história mas fixaram-se principalmente no foguetão.

A capacidade daquela grande máquina de levar, rapidamente, as pessoas para outro lugar, através do céu, e a sua forma, diferente dos meios normais de transporte, tinha atraído a atenção. A partir daí, nasceram histórias, dramatizações, rimas, lengalengas e personagens que encantaram e foram sendo o fascínio de todos, ao longo de muitos dias … e ainda continuam a ser.

Foi, assim, daquela forma simples quase espontânea, que o grupo “escolheu” o eixo estruturante da actividade da sala (ou, mais apropriadamente, foi assim que se construiu a “rampa de lançamento” de muitas ideias e trabalhos).

Ao projecto, que nasceu inspirado numa história contada num belo dia de Outubro, deu-se o nome de “OS MENINOS DO MUNDO”.

Nos primeiros dias da aventura, quando se acabou de contar a história do cosmonauta Raul, o grupo quis logo começar a construir o seu próprio foguetão! Foram dias de grande azáfama e de grandes conversas. Qual a sua forma? Qual a cor? Qual o tamanho? Devia ter alguma janela? Em que posição devia ficar?

Tudo foi sendo resolvido, na suas cabeças de engenheiros de quatro anos, até termos diante de todos uma espectacular máquina de viajar no espaço que parecia mesmo verdadeira, em tons de vermelho com a ponta negra, bem afiada para furar rapidamente as nuvens.

Quando tudo ficou pronto, já ninguém se lembrava de que o super moderno foguetão, já tinha sido uma grande caixa de papelão castanha. O que contava era a sensação de que aquele foguetão era mesmo nosso, feito com as nossas mãos e que, com a nossa imaginação, iríamos poder viajar pelos quatro cantos da terra. Com ele, íamos partir para conhecer muitos meninos do mundo. E partimos mesmo…

Depressa sentimos necessidade de construir uma nova área na sala, dedicada ao foguetão e às suas viagens.

A estratégia não passou apenas pela realização de actividades, mas implicou numa mudança do espaço-sala. Foi criada uma área relacionada com o eixo estruturador – meninos do mundo - que permitia à criança explorar, à vontade, os materiais disponíveis ou criados por elas, individualmente, em pequeno grupo ou em grande grupo. Livros temáticos, um atlas, um globo, puzzles, cartazes... foram alguns dos materiais que o grupo acabou por precisar e com os quais foi fazendo as suas explorações.

As viagens já foram muitas. Já aterramos em três dos cinco continentes! A América, a África e a Ásia reservaram-nos muitas surpresas e ainda mais aventuras!

Tudo foi tão fantástico e real que nem percebemos bem o que disse a mulher índia e a mulher chinesa quando um dia, sem estarmos a contar, chegaram de foguetão à nossa sala. Não era só diferente a língua mas também os seus costumes e a sua cultura.

Com estas viagens aprendemos muitas coisas novas e, ao mesmo tempo, despertamos para valores tão importantes como o respeito pela diferença!

Até ao fim do ano, o foguetão continuará a viajar com a ajuda do imaginário das crianças... Muitas histórias vão ainda acontecer e muitas problemas vão ter de ser resolvidos. Só há um problema que temos a certeza que não vamos ter, apesar do aumento constante do preço da gasolina. Não vamos sentir falta de fuel. Não é que o nosso foguetão é mesmo fantástico. Foi uma invenção genial. Em vez de usar o ouro negro, trabalha com um combustível verdadeiramente inesgotável - a imaginação dos meninos e meninas de quatro anos.

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ... vrummm, já partimos outra vez!

Esperem por nós, um dia destes vamos voltar para contar mais algumas inesperadas aventuras que ainda vamos viver e registar no diário de bordo da sala amarela que tem um foguetão vermelho muito giro, com um “focinho” negro pontiagudo, da cor do céu numa noite escura.
 
















     
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